Um pouco sobre a Fórmula Indy e a vitória de Danica Patrick na meia-etapa do Japão. O evento foi disputado neste final de semana na pista de Motegi -um pouco ao norte de Tóquio. Meia-etapa? Sim, porque a outra metade foi disputada no novo mundo, em Long Beach, na Califórnia, na despedida da Champ Car…
Em primeiro lugar, esta é sim uma vitória importante. Tanto para ela, quanto para a Indy, que busca voltar aos bons tempos. Falemos da categoria. Nada melhor do que um fato novo para aparecer na mídia. E a vitória de uma mulher em uma categoria de nível internacional é um fato interessante, ainda mais às vésperas das 500 Milhas de Indianápolis, o que, convenhamos, é o que mais importa na categoria. Sem contar que, com a vitória, Danica deixa de ser “apenas um rostinho bonito do esporte” (não apenas um rostinho, mas isso é outro assunto) e passa a ser mais respeitada por seu trabalho como piloto.
Num meio tão machista como é o do automobilismo, não deixa de ser uma ótima notícia para ela, que agora não precisará ouvir comentários machistas de seus colegas, perguntinhas engraçadalhas de jornalistas ávidos por manchetes fáceis, editores de sites enganadores e engraçadinhos que só se preocupam em colocar as fotos dela em trajes mínimos para aumentar a própria vendagem, etc.
Bestlap reconhece que tinha algumas dúvidas quanto à qualidade de Danica enquanto piloto. Achava que era a melhor piloto mulher da atual geração -em comparação dom Milka Duño e Sarah Fischer- mas que poderia não ser capaz de vencer na categoria. Pois bem. Para queimar a língua deste comentarista, contra fatos não há argumentos. Não apenas pela vitória, obviamente, já que ela vem mostrando bons resultados na competição, mas a vitória é um marco importante.
Assim, fazendo uma analogia com o tênis feminino, deixa a imagem que as pessoas tinham de Anna Kournikova -uma boa tenista, mas mais conhecida por ser “tenista e modelo”, que nunca venceu um título de simples da WTA. Ou seja, suas aparições como modelo se tornaram mais importantes do que as sua imagem enquanto jogadora. Claro que Danica ainda tem que conquistar muito mais do que isso para que deixe de ser “o vasinho que enfeita as entrevistas da IndyCar”. Mas isso é possível. Um exemplo de como isso pode acontecer é Maria Sharapova, que começou como a sucessora de Anna Kournikova, mas conseguiu se desvencilhar desta imagem.
Para Danica, isto acontecerá no momento em que ela deixar de ser vista apenas como um instrumento de marketing devido à sua forma física, e passe a ser mais respeitada como piloto, vencendo corridas e sendo temida pelos seus adversários. Da mesma forma, se as vitórias passarem a ser rotina, as pessoas deixarão de ressaltar que Danica é mulher, que é bonita, e se preocuparão apenas com a qualidade dela enquanto piloto. É o que aconteceu, guardadas as devidas proporções, com Lewis Hamilton, conhecido como “o primeiro negro a chegar à Fórmula 1″ antes de mostrar as suas credenciais.
A vitória, para ela, também é uma ótima noticia. Agora, depois de três anos com a sua vitória batendo na trave, que não precisa mais se pressionar para conquistar sua primeira vitória. Claro que, agora, ela tem que manter a sua imagem de piloto vencedora. Mas, sabendo o caminho das pedras, fica mais fácil.
Que venham muitas outras vitórias. Ela merece.
Fotos: IndyCar e Sports Illustrated

