Ainda não chegamos em Maio -ou seja, grande parte dos campeonatos mundiais do esporte a motor ainda estão começando. Mas já temos um grande candidato ao mico do ano. Seu nome? Valentino Rossi, o italiano penta-campeão da principal categoria do motociclismo mundial, seja ela a antiga 500 cc, seja então a MotoGP. Rossi se meteu em uma boa enrascada, e agora está em maus lençóis.
Bestlap nada tem contra Rossi, pelo contrário. Mas sua atitude de forçar a barra para ter à sua disposição os pneus da Bridgestone, em detrimento da Michelin, cheira a excesso de auto-suficiência e tendência a culpar os equipamentos por falta de desempenho pessoal, num esporte baseado em equipe, como é o esporte a motor.
A questão é que Rossi apostou tudo na suposta qualidade superior dos pneus japoneses. Realmente, na última temporada, os pneus japoneses eram melhores, mas não foi o único fator que decidiu o campeonato em favor do australiano Casey Stoner. A Ducati Desmocedici GP7 era superior às suas concorrentes -pelo menos o motor dela, em reta. E isso não foi considerado por Rossi no momento em que ele pressionou a sua equipe a assinar com os japoneses.
O problema de Rossi, neste começo de ano, é que quem dá as cartas na MotoGP não é Casey Stoner, sua Ducati e seu pneu japonês. O líder do Campeonato Mundial depois de três etapas é justamente o seu companheiro de equipe, o jovem espanhol Jorge Lorenzo.
Lorenzo, seu óculos escuro e seu pirulito correm com a mesma Fiat-Yamaha de Rossi, só que com os pneus Michelin. E, juntamente com Dani Pedrosa, da Repsol-Honda, lidera o campeonato com 61 pontos, enquanto Rossi está em terceiro, com 47.
Não é uma grande diferença? Até não é.E o campeonato apenas está começando. Ainda há muito tempo para reverter essa situação. Mas, pelo menos a priori, o esforço feito por Rossi para trocar de pneus, em detrimento do time -e do desenvolvimento das máquinas de sua equipe- parece ter sido em vão.

