O que leva um piloto que tem um emprego na Fórmula 1 descer um degrau e tentar a sorte novamente na GP2 Series, a categoria-escola da categoria principal? Tentar ganhar mais embalo para a sua carreira? Será que é uma aposta válida?
Lucas di Grassi tenta, há um mês, responder de forma positiva a estas perguntas. Afinal, depois de ter conseguido uma vaga de piloto de testes da equipe Renault de Fórmula 1, o paulistano de 24 anos voltou à categoria escola da Fórmula 1 como piloto da Campos Grand Prix.
Numa primeira análise da situação, o brasileiro tenta, com isso, se preparar melhor para a sua estréia na Fórmula 1, voltando a ter o chamado ritmo de corrida. Ajuda a explicar a preocupação com a forma de pilotagem o fracasso de seus dois antecessores. Heikki Kovalainen e Nelson Piquet também foram pilotos de testes que estrearam pela equipe da montadora francesa na Fórmula 1.
Tanto Kovalainen quanto Piquet não conseguiram estrear bem na Fórmula 1 depois de terem passado um ano no posto de piloto de testes, sem competir. Claro que há de se levar em conta que a Renault não teve a mesma forma de quando foi campeã do mundo quando os dois novatos estrearam na Fórmula 1. Mas, de toda a forma, se esperava mais deles quando tiveram a sua chance na categoria.
Numa leitura menos otimista da situação, muito provavelmente di Grassi não teria o mesmo respaldo que os dois pilotos, afinal, não tem o mesmo retrospecto nem a mesma ligação com Flávio Briatore –chefão da Renault F1- do que o finlandês e o brasileiro. Sem contar que, depois da mesma situação acontecer com os dois antecessores, muito possivelmente o italiano pensaria duas vezes em abrir as portas da sua equipe de Fórmula 1 para um novato.
Para, pelo menos, se manter na ativa, di Grassi acertou a sua volta para a GP2, competindo agora pela Campos, substituindo o inglês Ben Hanley –que também faz parte do programa de desenvolvimento de talentos da Renault, o RDD. A escolha de Lucas é arriscada, a equipe espanhola liderada pelo ex-piloto Adrian Campos não é uma das grandes equipes da GP2, apesar de ter evoluído nos últimos anos. De toda a forma, mostra que o brasileiro confia em seu taco. Sem contar que é uma abordagem diferente do problema da tomada por Nelson Piquet –que preferiu a segurança do posto de terceiro piloto a se arriscar na Spyker, como aconteceu no ano passado.
A vantagem desta escolha de di Grassi é que ele, além de ter a oportunidade de se manter com ritmo de competição, ainda pode mostrar serviço –tanto para a Renault quanto para outras equipes. Afinal, não há nenhuma certeza que a equipe francesa vá ter uma vaga na próxima temporada, e Lucas corre o risco de ficar a pé na próxima temporada.
Além disso, pesa de forma positiva na hora de definir a sua volta para a GP2 o fato de que o posto de piloto de testes não é mais tão importante quanto já foi em anos anteriores. A limitação no número de testes privados realizados pelas equipe reduziu de forma drástica a quilometragem alcançada por estes profissionais. E, o que antes era uma modalidade interessante para os pilotos conseguirem adquirir experiência com os carros da Fórmula 1, hoje é apenas um cargo figurativo.
Vendo que a sua carreira poderia se estagnar nesta posição, e tendo ganho pouca quilometragem como piloto de testes da Renault, di Grassi tomou a iniciativa de arriscar e voltou para a categoria de acesso, mesmo pilotando para uma equipe média.
Sem contar o fato que a Renault não esconde de ninguém que o seu outro piloto reserva –Romain Grosjean, que também disputa a GP2-, por ser um piloto “francês”, tem a preferência da chefia da equipe. Francês entre aspas? Sim. Com relação à origem, Grosjean é suíço, nascido em Genebra, e apenas escolheu a nacionalidade francesa por conveniência.
Ou seja, di Grassi poderia ficar sem vaga na Renault na próxima temporada -e sem grandes oportunidades fora dela- se decidisse seguir apenas como piloto de testes da equipe francesa.
Evidente que existe o outro lado. E o brasileiro corre o risco de se queimar caso não consiga manter a boa forma nas etapas seguintes da GP2. Foi, de certa forma, o que aconteceu com Antônio Pizzonia, que não conseguiu mostrar bons resultados na categoria escola, e praticamente enterrou as chances de voltar à Fórmula 1.
Mas, pelo menos nas primeiras quatro etapas que ele disputou –França e Grã Bretanha-, di Grassi foi muito bem, pontuando em todas elas e alcançando o pódio em três das quatro etapas. Assim, neste momento, mesmo tendo disputado seis etapas a menos do que seus concorrentes, do Grassi já alcançou um impressionante terceiro lugar na classificação geral. Pilotos bem cotados, como o próprio Romain Grosjean, de quem se esperava que lutasse pelo título, já ficaram para trás.
Se a escolha de Lucas foi a mais correta? Penso que sim. Se um piloto pretende chegar ao topo da Fórmula 1, não pode simplesmente escolher o caminho mais cômodo, ou se acomodar apenas por ter chegado lá. Lucas está trabalhando, e mostrando serviço. E, se a Renault não tiver interesse em aproveitar dos seus serviços, pode seguir o mesmo caminho de Robert Kubica, que, de piloto do RDD, preferiu trilhar seu próprio caminho e alcançou uma vaga na BMWSauber.


Era inevitável. Champ Car e Indy Racing League teriam que se juntar em algum momento, e encerrar a disputa que já durava 12 anos. Afinal, nesta década de separação, mais do que uma disputa que caminhava para o lado pessoal, o que estava em risco era o futuro do automobilismo “Open-Wheel” (termo norte-americano que pode ser traduzido para “rodas descobertas”, ou, simplesmente, como chamamos por aqui, “Fórmulas”).Foi o que aconteceu no último 22 de fevereiro. Champ Car e Indy Racing League fecharam o acordo que sela a fusão de ambas já a partir desta temporada. É o momento em que ambas as categorias deixam suas diferenças de lado e voltam a ter um norte comum.
Armistício foi assinado e a guerra encerrada. O que será feito a partir de agora entre as duas categorias foi anunciado dias depois, durante uma entrevista que reuniu os chefes de ambas as tribos -Tony George pelo lado da Indy, Kevin Kalkhoven pelo lado da Champ Car. Nela, foram especificadas as linhas gerais daquilo que será o futuro do automobilismo dos chamados “open-wheels” da América do Norte.
