Vendo por outro prisma, a volta retumbante de Lucas di Grassi à categoria, retratada no post anterior, pode ter uma outra leitura.
Depois de dois anos tendo corridas de bom nível, revelando bons pilotos para a Fórmula 1, a Fórmula GP2 não consegue esconder que vive uma crise.
Até a temporada passada, a categoria de Flávio Briatore e Bernie Ecclestone fora incensada como um trampolim de jovens valores para que estes pudessem entrar bem preparados na categoria principal.
Foi o que aconteceu nas temporadas 2006 e 2007, quando Nico Rosberg e, principalmente, Lewis Hamilton, estrearam na Fórmula 1 andando muito bem. Rosberg, pela Williams, chegou a andar mais rápido do que Mark Webber. E Lewis Hamilton fez o que fez na temporada passada, vencendo corridas e chegando ao vice-campeonato da categoria principal, quase conquistando o título.
Mas o status da categoria começou a ser colocado em dúvida. Afinal, passado o auê do surgimento da categoria, o fato é que o surgimento dos talentos não parece ter sido por méritos da categoria.
E o campeão da temporada passada, Timo Glock, não consegue mostrar bons resultados na equipe Toyota, não ajudando muito na imagem da categoria.
Sem contar que tanto Heikki Kovalainen quanto Nelson Piquet, vice-campeões da categoria e que estrearam na F1 dois anos depois de passar pela GP2, não conseguiram bons resultados em suas respectivas estréias. E agora, o próprio paulistano volta à categoria, mesmo tendo sido vice-campeão da categoria na temporada passada. Seria um indício de que a GP2 já não tem o mesmo fôlego das edições passadas?
É dificil dizer, mas a atual edição tem como líder o italiano Giorgio Pantano, que disputou uma temporada na categoria principal sem se destacar –em 2004, quando foi dispensado pela Jordan por falta de resultados depois de 15 etapas. E o segundo é Bruno Senna, que tem os seus predicados, mas ainda é muito mais conhecido como o sobrinho de Ayrton. E, mais uma vez, nenhum piloto roouba as atenções da categoria.
Sem contar que ainda pode ficar pior a partir da próxima temporada, quando a FIA promete lançar a Fórmula 2 como uma alternativa para os pilotos que pretendem chegar à Fórmula 1. Ainda não há muitas informações sobre a nova categoria, que parece ter sido criada por Max Mosley mais para tentar desviar o foco sobre o seu cargo do que qualquer outra coisa. Além disso, parece uma forma de bater de frente com Bernie Ecclestone, seu grande aliado por muitos anos, mas que mudou de lado nos últimos tempos. De toda a forma, será uma forma de esvaziar ainda mais a GP2, apertando no calo que começa a crescer nos pés da categoria (a alta nos custos).
A volta de Lucas di Grassi à GP2, com um carro mediano, e a facilidade com que ele tem alcançado seus resultados, podem denotar uma falta de qualidade dos atuais pilotos da categoria –fator já levantado por Ron Dennis na temporada passada. Dennis é conhecido por suas ligações históricas com Lewis Hamilton, e isso poderia ser lido como uma forma de valorizar o seu piloto. Mas, por outro lado, parece ter um fundo de verdade no momento em que um piloto parado havia quase nove meses volta da forma que di Grassi voltou.
Claro que há muitos méritos nos feitos do brasileiro, que voltou andando muito bem na GP2. E não é qualquer um que consegue andar da forma que o brasileiro conseguiu nas etapas em que ele participou. Mas ver como isso será entendido pelos donos de equipes da Fórmula 1 é algo para se observar.

