
Todo o glamour, o charme e a beleza do Porto de Valência não foram suficientes para que o Grande Prêmio da Europa, 12ª etapa do Campeonato Mundial de Fórmula 1, fosse uma corrida emocionante.
Valência prometeu um circuito de rua que reverteria o atual paradigma deste tipo de pista. Que, ao invés de ser uma pista como Mônaco -que, pelo menos internamente, é um circuito estreito e ultrapassado, que não teria espaço na Fórmula 1 moderna-, seria uma pista moderna, com pontos de ultrapassagem e alta-velocidade.
Por outro lado, igualaria todo o chame e glamour que o ambiente do circuito monegasco proporciona toda a visita que a Fórmula 1 faz às ruas do Principado. Ou seja, trocando em miúdos, a idéia dos promotores da corrida, de Bernie Ecclestone e de Hermann Tilke –arquiteto que também recebeu a incumbência de pensar na pista valenciana- era fazer de Valência um circuito de Mônaco moderno e capaz de proporcionar corridas emocionantes.
Pois bem. O novo circuito da categoria fica situado no porto de uma das principais cidades da Espanha. A região portuária de Valência –às margens do Mar Mediterrâneo- perdeu o seu encanto com o passar dos anos. Para reverter esta tendência de decadência, o poder público valenciano tem realizado investimentos nesta região da cidade nos últimos anos.
A realização de grandes eventos para se revitalizar regiões decadentes tem sido uma tendência mundial. Por exemplo, as Olimpíadas de Londres em 2012 tem como intenção original revitalizar a zona leste da cidade, os Jogos de Barcelona serviram para revitalizar a região portuária da cidade catalã, e a Expo 1998 –em Lisboa- serviu para fazer o mesmo com a região estuária da capital lusitana.
Com a região portuária de Valência não foi diferente. E o poder público valenciano resolveu investir forte na realização de diferentes eventos esportivos naquela região. O primeiro deles foi a principal regata do mundo, a America´s Cup. E agora, em conjunto com empresários locais –liderados por Fernando Roig, Presidente do clube de futebol Villareal, e o ex-motociclista Jorge Martinez Aspar.
O Circuito Urbano de Valência, não há como negar, ganha uma atmosfera diferente quando passa pelas suas longas retas, entre os antigos galpões do porto valenciano e as marinas do porto, lotadas de iates. E, mais interessante ainda, com trechos onde os carros ultrapassam os 320 km/h.
Mas há um pequeno porém. A pista pode ser moderna, e até mesmo com trechos velocíssimos. Mas, justamente por ter curvas rápidas antes de seus pontos de ultrapassagens, acabam por impedir a aproximação dos pilotos aos da frente sem que gere turbulências aerodinâmicas, e, justamente por isso, não acontecem ultrapassagens.
Com isso, apesar de todo o auê que tivemos para a realização da prova valenciana, a 11ª etapa do Mundial de Fórmula 1 foi a mais chata do ano. Sem ultrapassagens, sem emoções, e até mesmo sem as famigeradas entradas do Safety Car que decidiram algumas etapas desta temporada, podemos dizer que a corrida se arrastou até o seu final.
Felipe Massa não teve nada a ver com estes problemas, e se recuperou de forma brilhante do baque sofrido há três semanas. O brasileiro venceu de forma indiscutível o Grande Prêmio da Europa, e conseguiu se recuperar na briga pela liderança do campeonato de pilotos, reassumindo a vice-liderança.
Podemos dizer que foi uma apresentação típica do brasileiro. Massa largou na pole-position e venceu a corrida com facilidade. Mas, diferença fundamental para a etapa anterior, quando saiu de Hungaroring com o gosto amargo de ter visto a vitória escapar de suas mãos a três voltas do final, ele conseguiu completar as 57 voltas do Grande Prêmio, e ainda completou a melhor volta da competição, completando o sua terceira corrida perfeita do ano.
Com este resultado, Massa reduz a liderança de Lewis Hamilton -segundo colocado na etapa-, para seis pontos, e volta a sonhar com a briga pelo título mundial de Fórmula 1.
Se a corrida de Massa foi praticamente perfeita, o mesmo não se pode dizer da corrida da Ferrari. A Scuderia deve ter deixado Valência com a luz de alerta acesa depois do final da corrida espanhola. Afinal, depois da quebra do motor de Massa na Hungria, somou na conta um erro na parada de box do brasileiro, e uma quebra de motor no carro de Kimi Raikkonen –que foi obrigado a abandonar a prova.
O erro na segunda parada de box de Massa, liberado para voltar à pista mesmo com um piloto passando ao seu lado –Adrian Sutil-, não causou prejuízo esportivo para a Scuderia. A equipe italiana terá que pagar uma multa de 10 mil euros, e fica tudo por isso mesmo. De toda a forma, mostra que há um certo descontrole na gestão da equipe.
Já o problema no motor de Kimi Raikkonen causa preocupação, já que é o segundo problema mecânico entre os carros da equipe italiana em suas provas. E, pior, em situações parecidas. Era a segunda corrida do motor colocado na Ferrari de Kimi. Porém, mostra que, apesar dos motores terem evoluído se considerarmos o período do GP da Alemanha para cá, parece que eles perderam muito em confiabilidade.
De toda a forma, Kimi Raikkonen não será tão lembrado de forma positiva por esta etapa valenciana. Afinal, cometeu um erro primário, saindo dos boxes sem que o serviço ainda não estivesse terminado. Este erro, apesar de não ter sido definitivo no comprometimento de sua corrida, feriu o mecânico responsável pelo reabastecimento. De toda a forma, é uma amostra da falta de concentração de Raikkonen, que definitivamente não está em uma boa fase –e que sofre com as críticas dos tifosi e da imprensa italiana.
O segundo lugar na corrida foi de Lewis Hamilton. O inglês esteve longe de seus melhores momentos na categoria, e em momento nenhum do final de semana conseguiu mostrar porque a McLaren chegou a Valência com o favoritismo.
Lewis justificou o mau desempenho por não estar no melhor de sua forma física, já que teria passado os últimos dias gripado, tanto que chegou a colocar o terceiro piloto da equipe –Pedro de La Rosa- de sobreaviso para qualquer eventualidade. Mas, de qualquer forma, são pontos perdidos num momento em que a McLaren, teoricamente, levaria vantagem sobre a Ferrari.
Fechando o pódio, ficou Robert Kubica, da BMWSauber. A equipe suíça, depois de duas corridas sem justificar a pecha de melhor das equipes médias da categoria, conseguiu voltar ao pódio. Não que tenha assustado as duas grandes, como já chegou a fazer nesta temporada. Mas, pelo menos, não esteve fora da zona de pontuação, como chegou a estar na fraquíssima apresentação da equipe em Hungaroring. Sem dúvidas, foi o melhor resultado e a melhor corrida de Robert Kubica depois da vitória em Montreal.
Por sua vez, Nick Heidfeld não teve muita sorte na escolha da estratégia da corrida. E apenas uma só parada, nas condições em que a corrida se desenrolou, foi uma péssima escolha. Com isso, o alemão chega à sua segunda corrida sem marcar pontos, apesar de ter completado a corrida. Se em Hungaroring foi o 10º, em Valência foi o 9º.
Na quarta colocação ficou o finlandês Heikki Kovalainen, da McLaren. Depois de sua grande vitória na etapa húngara, Kovalainen mais uma vez teve um bom desempenho, mostrando que pode ajudar a sua equipe a acabar com a seca de títulos de construtores da equipe. A equipe prateada não conquista a Copa dos Construtores desde 1998 –graças ao escândalo de espionagem que causou a desclassificação da equipe na temporada passada. E uma boa quantidade de pontos marcada por Heikki será fundamental para evitar o oitavo título da Ferrari em dez anos.
Fora do pódio, talvez o grande nome da corrida tenha sido Sebastian Vettel, da Toro Rosso. O jovem alemão de 21 anos de idade terminou uma das sessões preparatórias de sexta-feira para o GP da Europa na frente. E, não satisfeito, ainda fez o melhor tempo do treino de classificação –na segunda fase, quando são definidos os dez melhores classificados. Vettel largou em sexto, melhor posição de largada da história da equipe.
Durante a corrida, o alemão, que será um dos pilotos da Red Bull na próxima temporada, continuou impressionando. Apesar de ter acabado a corrida na sexta colocação, chegou pressionar Kimi Raikkonen, em certo momento da corrida. Uma performance daquelas que mostram que o alemão é um piloto que dará trabalho num futuro próximo.
Mas Vettel foi o único nome que se destacou em todo o grupo Red Bull. Seu companheiro de equipe, Sebastien Bourdais, apesar de estar acostumado com pistas de rua –comuns na Champ Car-, e de ter feito uma das melhores apresentações na categoria, não passou de um décimo lugar. Pior ainda fizeram Mark Webber e David Coulthard, que ficaram, respectivamente, em 12º e 17º (último colocado) depois de uma corrida sem grandes feitos.
A Toyota, mais uma vez, mostrou força, e conseguiu colocar os seus dois pilotos na zona de pontuação. Se por um lado Trulli foi bem naquilo que é um reconhecido especialista dentro da Fórmula 1-a velocidade-, Timo Glock tem mostrado uma outra característica tão importante quanto –a constância. E isto faz com que a equipe nipo-germânica tenha uma boa dupla de pilotos.
Trulli foi o quinto colocado, depois de uma boa classificação -7º- e uma grande corrida. O italiano teve, nesta corrida, a melhor estratégia –duas paradas. E isto fez com que ele fosse beneficiado na briga interna da equipe. Glock, por sua vez, não foi tão bem na classificação, ficando de fora da terceira fase da classificação –largou em 13º. Porém, um ótimo ritmo de corrida levou o alemão à zona de pontuação.
Fechando a zona de pontuação, alguém que há mais de três meses –e cinco corridas- não marcava um ponto. Nico Rosberg superou todos os percalços que complicam a vida da Williams, e alcançou o oitavo lugar na corrida, superando Nick Heidfeld.
A etapa valenciana foi um verdadeiro desastre para a Renault. Em nenhum momento do final de semana a equipe do herói local Fernando Alonso pareceu que seria competitiva. E a não classificação de nenhum de seus carros para a fase final da classificação mostrou isso de forma decisiva. Para completar, Alonso não completou nenhuma volta da corrida, depois de ser acertado por Kazuki Nakajima. Enquanto isso, Nelson Piquet, depois de largar em 15º, terminou a corrida em 11º.
O Campeonato Mundial de Pilotos segue com Lewis Hamilton na liderança, agora, com 70 pontos. Felipe Massa volta à 2ª colocação, com 64, passando Kimi Raikkonen, que agora tem 57. Robert Kubica está logo atrás do finlandês, com 54 pontos. Heikki Kovalainen (43) e Nick Heidfeld (41) aparecem a seguir, bem à frente de Jarno Trulli (26). Fernando Alonso e Mark Webber aparecem empatados na oitava colocação, com 18 pontos, enquanto Timo Glock fecha os dez primeiros, com 15.
No mundial de construtores, a liderança ainda é da Ferrari, com 121 pontos. Já a McLaren vem reduzindo a vantagem dos italianos, e agora soma 113 pontos. A BMWSauber tem 96 pontos, em terceiro lugar. A Toyota é a quarta colocada, somando 41 pontos. Renault (31), Red Bull (24), Williams (17), Honda (14) e Toro Rosso (11) aparecem em seguida, fechando a classificação.
A Fórmula 1 volta daqui 15 dias, no Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula 1. A 12ª etapa do campeonato será disputada no circuito de Spa-Francorchamps, no dia 7 de setembro.


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Lendo seu texto tive a mesma sensação: De que o gp da europa é uma torta muito bonita, mas pouco apetitosa. Sem o recheio mesmo…
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