
O Rali da Alemanha –décima etapa do Campeonato Mundial de Rali de 2008- marcou a volta dos ralis de asfalto depois de um intervalo de nove etapas. E sem grandes surpresas, mas com um resultado extremamente positivo para a Citroen e para Sebastien Loeb.
Não que seja surpreendente uma vitória de Loeb num rali de asfalto. Ainda mais na Alemanha. Mas a forma com que venceu o rali da Alemanha deixou no ar uma forte impressão de que o campeonato, para Loeb, começou depois do intervalo de 45 dias entre os ralis da Turquia e da Finlândia.
E, se considerarmos que os resultados da décima etapa do Campeonato Mundial de Rali indicam uma tendência, o piloto da Citroen terá relativa facilidade para ser o primeiro penta-campeão mundial do WRC.
Facilidade? Num campeonato que esteve equilibrado até o momento –e que Loeb acaba de alcançar a liderança? Pois é. O problema –para os adversários do francês- é que das cinco etapas que serão disputadas até o final do campeonato, duas serão em asfalto (França e Espanha) –terreno em que Mikko Hirvonen ainda não conseguiu vencer. E é uma grande chance para que o francês consiga, finalmente, exercer o favoritismo que lhe foi concedido no começo da temporada.

Em Trier não teve para ninguém. “Como se isso fosse alguma novidade…”, você, caro leitor deve estar pensando. Pois bem. Sebastien Loeb manteve a hegemonia e venceu, com sobras, o rali teutônico. Ele simplesmente não deu chances para os seus adversários. E, com a vitória, manteve-se como o único vencedor da “era WRC” do rali alemão –que faz parte do Mundial desde 2002. Com isso também amplia uma seqüência de dominação nunca vista na categoria, vencendo pela sétima vez consecutiva o mesmo rali.
Logo na primeira especial da etapa, ainda na sexta pela manhã, Loeb mostrou para os seus adversários que seria ele quem daria as cartas na Alemanha. Com 11 segundos de vantagem sobre o seu rival mais próximo, o seu companheiro de equipe Dani Sordo, num trecho de 21 kms (Ruwertal/Fell), o francês começou ali a construir a sua vantagem.
Esta seqüência de vitórias do francês não é furto do acaso. Pode ser explicada por alguns fatores. O primeiro é um tanto óbvio. Afinal, o asfalto -tipo de solo encontrado no rali alemão- é o tipo de terreno em que Sebastien Loeb começou a pilotar, e é o terreno em que se sente mais à vontade.
O segundo vale como curiosidade. A cidade natal do piloto da Citroen fica a menos de 200 kms da cidade de Trier. E é a etapa do Campeonato Mundial mais próxima de sua Haguenau -mesmo que em território francês sejam realizadas duas etapas, Monte Carlo e Córsega. Justamente por isso, os seus conterrâneos se deslocam em massa para as estradas alemãs para torcer pelo tetra-campeão mundial.
Para a Citroen, o resultado do Rali da Alemanha chegou próximo daquilo que se pode chamar de perfeito. Além da fácil (e previsível) vitória de Sebastien Loeb, finalmente Dani Sordo conseguiu voltar ao pódio, marcando a primeira dobradinha da equipe francesa no ano.
O espanhol enfrentou alguma resistência de Mikko Hirvonen entre o primeiro e o segundo dia de competições. Porém, devido a um problema nos pneus logo na manhã de sábado, o finlandês perdeu muito tempo e foi obrigado a abrir mão da disputa com Sordo. Depois de superada a disputa com o finlandês, Sordo não teve maiores problemas para se consolidar como o segundo colocado do rali.
Graças ao resultado obtido, o segundo piloto da Citroen consegue tomar a terceira posição do Campeonato Mundial de Pilotos de Chris Atkinson, da Subaru. E, de quebra, faz com que a sua equipe assuma a liderança do campeonato de construtores –podendo quebrar a hegemonia que os norte-americanos estão vivenciando nesta competição. Para fechar a festa, o estoniano Urmo Aava, que compete no programa semi-oficial da Citroen, completou a zona de pontuação, ficando com a oitava colocação.
E a evolução da Citroen acende um sinal amarelo na Ford. Afinal, a Blue-Oval vinha mantendo de forma tranqüila a liderança do campeonato, e acaba por ser superada pelos franceses na disputa da taça dos construtores.
A passagem teutônica da Ford foi extremamente negativa. Além da má performance no sábado de Mikko Hirvonen –que custou uma possível segunda posição- e a perda da liderança em ambos os campeonatos, Jari-Matti Latvala mais uma vez cometeu erros que comprometeram a sua participação no rali.
E, para completar o desastre, Latvala começa a se mostrar um tanto abalado pela seqüência de erros, que pode culminar em uma perda de desempenho, o que é tudo aquilo que a Ford não precisaria se pretende manter a coroa dos construtores. O começo da temporada do jovem Latvala foi muito boa, num momento em que se esperava uma seqüencia de erros maior por parte dele.
Mas nesta época, já com uma vitória em seu currículo, era esperado que o finlandês conseguisse se manter na pista, e pontuasse com mais freqüência. Porém, ainda ansioso, comete erros com freqüência, o que tem custado pontos no final das contas –neste rali, acabou em nono. Se Latvala entrar nesta espiral, pode comprometer a sua carreira.
Outro momento negativo para a Ford foi o grave acidente sofrido pelo italiano Gigi Galli, que, ainda na sexta feira, se chocou com uma pedra na quinta especial. O impacto foi tão forte que acabou fraturando o fêmur de Galli. Por causa disso, o principal piloto da equipe Stobart ficará de molho pelos próximos cinco meses, encerrando assim a sua participação na temporada.
O ponto positivo para a Ford foi o bom retorno do belga François Duval, que, pilotandoi o segundo Focus da Stobart-Ford, conseguiu subir no pódio. Duval, tal qual as etapas de asfalto no WRC, teve a sua última aparição na principal categoria do rali mundial no Rali Monte-Carlo, logo no fim do mês de janeiro.
Duval retornou com estilo. Demonstrou todo o seu talento nas estradas de Trier, mostrando que teria capacidade para defender uma equipe oficial do WRC não fosse o filme queimado por um ano repleto de bobagens vivido por ele na temporada de 2005 –uma trajetória que Jarí-Matti Latvala precisa se cuidar para não repetir.
Desde então, o belga tenta reconstruir a sua imagem. Mas as boas apresentações desde o final de 2005 ainda não foram suficientes para que ele conseguisse arrumar uma vaga que lhe permitisse aparecer de forma mais constante no WRC.
Pode ser que a chance tenha aparecido, com a contusão de Gigi Galli. Apesar da Stobart inscrever mais de três pilotos por rali –além de Galli, normalmente correm Henning Solberg e Matthew Wilson-, Duval é cotado para ser efetivado na vaga de piloto principal da equipe. O norueguês, porém, já foi o principal piloto da Stobart –em 2007, quando corria com Jarí-Matti Latvala-, o que pode fazer com que a M-Sport (equipe que gere o programa da Ford no WRC) simplesmente decida por fazer a troca simples, deixando François de fora. De toda a forma, o belga voltaria a pilotar pela Stobart ainda em outubro, disputando o Rali da Catalunha e a Volta da Córsega.
Já a Subaru não teve um grande destaque, terminando o Rali da Alemanha com a 5ª e a 6ª colocações. Petter Solberg e Chris Atkinson, na ordem, sofreram um pouco com a falta de quilometragem do novo Impreza em piso de asfalto. Por outro lado, terminar o rali significa, além dos pontos somados, um acréscimo de conhecimento da forma como o carro funciona no piso impermeável. No fim das contas, foi um rali positivo para a montadora japonesa.
Com o mesmo problema vive a Suzuki, que não conseguiu repetir o desempenho do Rali da Finlândia. De toda a forma, terminar o rali é importante para a montadora japonesa, que, com isso, ganha quilometragem e consegue conhecer mais de seu SX-4. Toni Gardemeister foi o 10º, e PG Andersson foi o 15º.
Depois de dez etapas, o campeonato tem um novo líder. E é Sebastien Loeb, com 76 pontos. Mikko Hirvonen agora é o segundo, com 72 pontos. Bem atrás, aparece Dani Sordo, com 43 pontos, agora à frente de Chris Atkinson, da Subaru, com 40. Jarí-Matti Latvala, em quinto, tem 34 pontos. Os irmãos Solberg, com Petter à frente, aparecem a seguir. Petter tem 27, Henning tem 22. Gigi Galli soma 17, Matthew Wilson tem 12, e, fechando os dez primeiros, aparece François Duval, com 11 pontos.
Entre as equipes, a Citroen-Total roubou a liderança da BP-Ford e tem 123 pontos. A equipe norte-americana soma 115. Subaru com 69, a Stobart-Ford com 51, a Munchi´s-Ford com 19 e a Suzuki com 13 fecham a zona de classificação.
O WRC volta no final do mês, com o Rali da Nova Zelândia. A etapa do Mundial na Oceania será realizada entre os dias 28 e 31 de agosto, e será sediado na cidade de Hamilton.
NR. Na tarde da terça-feira (19), o belga François Duval foi confirmado pela Stobart-Ford como o substituto do italiano Gigi Galli para o rali da Nova Zelândia.



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1 user responded in this post
Esta sim… Categoria para homens de verdade e ainda por cima gera as mais belas imagens do automobilismo!
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